Encontre Aqui

Estes Livros São Bons

  • A cabana
  • Os segredos do pai nosso, Augusto Curry
  • Uma vida com propósitos
  • Você é insubistituivel, Augusto Curry


Seguidores

VICKYS.com.br


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Geração surda, geração cega?

Geração surda, geração cega?

A ‘surdez’ dessa geração pode estar causando cegueira espiritual - sem a sabedoria adquirida pela Boa Semente, nossos jovens não saberão fazer as escolhas certas, não desenvolverão caráter cristão, não serão conhecidos pelo amor

“Ouvimos com o cérebro e não com o ouvido”, dizem os pesquisadores. A audição é um dos cinco sentidos que ajudam na percepção e relacionamento com o ambiente. Sensível a ruídos externos contínuos ou não, muitas vezes a audição capta involuntariamente os sons e os decodifica no cérebro. Nem sempre as pessoas se dão conta do barulho que as cerca. Os decibéis são as unidades de medida usadas para se conhecer a intensidade de um som (o ouvido humano suporta até 85 decibéis; exposições acima deste índice já acarretam lesões ao ouvido, muitas vezes irreversíveis, levando à perda auditiva). A fé, dom que, conforme define a carta aos Hebreus, nasce “do ouvir, e ouvir a Palavra de Deus”.

Nos momentos cúlticos de adoração e comunhão, audição e decibéis são processados na mente humana para gerar uma crença sincera, fé que surge da escuta de uma mensagem ou canção, de palavras que “edificam, exortam e consolam” (I Co 14:3). É assim que Jesus, usando a voz para narrar estórias recheadas de símbolos, revela aos discípulos o processo de crescimento da semente da fé: “Eis que o semeador saiu a semear... uma parte da semente caiu à beira do caminho... E outra caiu em lugares pedregosos... E outra caiu entre espinhos... Outra, afinal, caiu em boa terra; cresceu e produziu a cento por um” (Lc 8:5-8).

Jesus sabia que, para se fazer ouvido, num espaço amplo, era preciso aumentar o volume de sua voz. Não existiam microfones de lapela ou sem fio, amplificadores, direct-box, cabos, equalizadores. Mas, para desenvolverem uma fé profunda, os discípulos precisariam OUVIR. E sua parábola ecoou até nossos dias, época em que força e potência espirituais são traduzidas, muitas vezes, por volumes altos de som e respostas em alta voz.

Quem ainda não participou de um culto que, por tamanha festividade e alegria, acabou por extrapolar os limites das caixas de som e da audição humana? Um alto-falante de 100W, por exemplo, estando ligado no máximo de sua potência, gera 130 decibéis a um metro de distância; até mesmo um walkman, apesar de pequeno e ser colocado a menos de 1cm do tímpano, pode gerar esses mesmos 130 decibéis com uma potência de apenas 1W. Algumas pesquisas mostram que o ruído fora de controle constitui um dos agentes mais nocivos à saúde humana; causa falta de concentração, perda da audição, zumbidos, distúrbios do labirinto, do sono, estresse, ansiedade, nervosismo, hipertensão arterial, gastrites, úlceras e morte precoce das células nervosas — tudo antes que venha a surdez. Por vezes seguidas, medimos os decibéis durante vários cultos de nossa comunidade, buscando desenvolver uma consciência de volume ideal para nossa equipe de louvor.

Ficamos surpresos! Registramos incríveis 140 decibéis, altura equiparada a um jato de um avião ligado ou um show de rock! Estamos nós criando uma geração surda? Nossos bebês, crianças, jovens e idosos, expostos a um volume tão alto, instintivamente ficam inquietos no templo - buscando se proteger do ‘barulho’, procuram os lugares mais distantes das caixas de som. Algumas pessoas chegam a sair do local de culto com dores de cabeça e dores abdominais. E perdem a oportunidade de desenvolverem a fé pelo ouvir. Em meio a tantos decibéis, não é de se estranhar recebermos críticas de pessoas que não fazem parte desse contexto. Se surge algum projeto de lei para impor limites à altura do som de nossas igrejas, tornamo-nos impacientes com os políticos e culpamos o Diabo. É bom lembrarmos das leis de caráter humanitário registradas em Deuteronômio 24.

Elas nos chamam atenção para agirmos com misericórdia com o estrangeiro, o órfão, a viúva, o pobre, pois já fomos “estrangeiros em terra estranha”. Parece que nos esquecemos de que somos chamados a arar o terreno dos corações humanos com amor e lançar a boa semente com atos de justiça e misericórdia! Assim Jesus nos atraiu. Gostamos de ver nossos jovens identificando-se com o dinamismo e vivacidade dos instrumentos; e louvam, e dançam. Mas, com tantos decibéis, aceleram os batimentos cardíacos, a pressão sanguínea e liberam adrenalina, o que diminui a concentração. Após os cânticos, sentam-se para o momento da mensagem, mas não conseguem mais OUVIR, porque estão cansados.

A ‘surdez’ dessa geração pode estar causando cegueira espiritual - sem a sabedoria adquirida pela Boa Semente, nossos jovens não saberão fazer as escolhas certas, não desenvolverão caráter cristão, não serão conhecidos pelo amor. Estamos clamando por decibéis que exaltem a Cristo! E por uma nova geração que saiba ouvir com espírito manso e humilde, e retenha as sagradas letras. Afinal, em boa terra, a semente crescerá e produzirá a cem por um.

Raízes profundas para uma fé inabalável é o desafio para a ‘geração tecnologia’. Quem tem ouvidos?

Patrícia Guimarães
Mestre em Musicologia, bacharel em canto lírico, pianista e regente de corais como os da Igreja Metodista e das Meninas Cantoras de Juiz de Fora(MG)

0 comentários: